Endo

Escravos da indústria odontológica?

Gilson Blitzkow Sydney, Carlos Estrela

Dados recentes sobre a difusão e implementação do uso de instrumentos rotatórios na prática clínica diária revelam que a maioria dos profissionais que utilizam esses instrumentos encontra-se, principalmente, na faixa de 5 a 10 anos após a graduação, e que aprenderam a utilizá-los durante o seu curso de especialização em Endodontia. Os dados também apontam que a grande maioria emprega o mesmo sistema que aprendeu e treinou durante o seu curso e que, geralmente, utiliza somente esse sistema. Ou seja, a premissa “Dizes-me que curso fizeste e te direi que sistema usas” parece ser verdadeira. O que se observa é que as empresas oferecem um treinamento básico, sem custos, geralmente com um profissional da área ou mesmo um professor, e com isso caracterizam a introdução ao uso de sistemas rotatórios em seus cursos. Esse é o mesmo treinamento oferecido ao clínico geral com interesse na Endodontia. Será essa a conduta correta para tratar tão importante inovação endodôntica? O futuro especialista deveria treinar diferentes sistemas para poder perceber as diferenças no preparo com cada um deles. Suas características de fabricação — como área seccional, presença ou não de banda radial, ângulo helicoidal, entre outras — exigem manejo diferente porque sua ação nas paredes do canal radicular é variável. É lógico que a escolha dos pós-graduandos entre um sistema ou outro se dará de acordo com suas habilidades e com sua adaptação no manejo desse. Atualmente, são muitos os sistemas disponíveis no mercado. É importante optar por trabalhar com alguns específicos, que representem, devido ao seu desenho, as principais características dos disponíveis hoje, sem a tendência de influenciar na opção ou preferência por um ou outro. A implementação do uso de um sistema na realidade clínica é dependente de uma formação profissional voltada para o seu uso na prática, para que se torne uma mudança sustentável. O treinamento é fundamental para o profissional perceber a necessidade da mudança, alterar velhos padrões e desenvolver o compromisso com o novo.

Como citar: Sydney GB, Estrela C. Are we slaves of dental industry? Dental Press Endod. 2014 Sept-Dec;4(3):7. DOI: http://dx.doi.org/10.14436/2178-3713.4.3.007-007.edt

Tuesday, September 19, 2017 19:26